Em vez de se tornar advogada, ela está em vias de parar atrás das grades por cometer crimes de racismo através das redes sociais. Em 2010, a estudante de Direito Mayara Petruso defendeu o assassinato de nordestinos no Twitter. A Justiça Federal de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) pedindo a abertura da ação por racismo, baseada nas postagens e no depoimento da ré. Mayara admitiu ser autora dos comentários, de acordo com o MPF.
Em novembro do ano passado, quando as pesquisas de boca de urna anunciaram a vitória de Dilma Rousseff na eleição para a Presidência da República, Mayara postou a seguinte mensagem em sua página no Twitter: “Nordestisto (sic) não é gente. Faça um favor a Sp: mate um nordestino afogado!”. Geralmente, a pena para o crime de racismo vai de três meses a um ano de prisão, acrescido de multa. Porém, como o crime foi cometido em um veículo de comunicação, pode ser elevada para até cinco anos de prisão.
A ação contra Mayara resultou da manifestação feita na época por várias pessoas e entidades da categoria, entre elas a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Pernambuco. No dia 5 de novembro de 2010, a seccional da Ordem apresentou uma notícia-crime contra Mayara ao Ministério Público de São Paulo. O presidente da OAB de Pernambuco, Henrique Mariano, afirmou que “devido ao fato de todos os elementos comprovarem a prática de crime pela internauta, a entidade tomou a iniciativa de promover a ação penal".
Para Henrique Mariano, a estudante praticou, ao mesmo tempo, os crimes de racismo e de incitação pública à pratica delituosa. A autoridade mencionou como exemplo outra recente manifestação de uma usuária do Twitter, também de cunho racista, após a vitória do Ceará contra o Flamengo. "Isso não pode crescer. Enquanto não houver uma punição exemplar, esses crimes continuarão sendo cometidos", pontuou o presidente da OAB-PE.